elas não tinham nada a ver com isso.

elas não tinham nada a ver com isso.

elas só queriam brincar.

na porta de casa, felizes.

sextava em caxias.

mais um dia normal de riso, zoeira, amor.

vida de criança.

mas balas de armas de fogo as mataram.

sem tempo de mãe chamar pra dentro.

armas que vocês querem liberar.

balas que vocês querem que sejam vendidas facilmente em cada esquina do país.

traços de uma guerra absurda e fatal.

uma guerra que mata pobre, sistematicamente, semanalmente, anonimamente, normalizadamente.

guerra que você apoia.

emilly tinha quatro anos.

uma bala na cabeça.

rebeca tinha sete.

uma bala no abdomen.

elas estavam ansiosas pela festa de aniversário de emilly.

seria a primeira festa da menina.

elas não tinha nada a ver com isso, com essa guerra insana, sem sentido.

elas tinham sonhos de criança: talvez bailarina, professora, polícia, cantora, astronauta.

mais alguns poucos anos e talvez sonhos de adulta: emprego, viagem, namoro, formatura.

mas elas não terão mais sonhos.

balas as mataram na porta de casa.

essas balas defendidas por esses cidadãos de bens que assinam embaixo dos massacres diários, assassinos de futuros.

elas não tinham nada a ver com isso, mas você tem.

você que apoia os milicianos no poder.

você que reproduz o chorume midiático diário dos programas policiais.

você que é isentão.

você que vomita que bandido bom é bandido morto desde que o bandido não seja aquele filho de autoridade, branco, influente e hipócrita.

elas não tinham nada a ver com isso.

não é um caso isolado, é preciso repetir sempre.

é uma guerra cotidiana.

um ano após a morte trágica de ághata félix, atingida por um tiro de fuzil da pm pelas costas, mais 28 crianças morreram de forma parecida.

emilly e rebeca se juntam às ágathas, joões, eduardos, claudias, miguéis, juans, milhares de jovens e crianças nos últimos anos que tiveram seus sonhos interrompidos pela máquina mortífera em andamento.

elas não tinha nada a ver com isso, mas você tem.

você precisa se rever, repensar o que você apoia/silencia/vomita por aí.

ajude a parar essa máquina assassina.

agora.

você pode parar de apoiar essa política assassina.

agora.

você pode parar de dar moral a esse discurso da morte.

agora.

você pode parar de fingir que isso tudo não tem a ver contigo.

não dá pra desejar feliz natal pra quem bate palma pra herodes continuar a matar nossas crianças.

elas não tinham nada a ver com isso.

emilly e rebeca, quatro e sete anos, uma bala na cabeça e outra no abdomen, elas só queriam brincar.

ajude a parar essa máquina assassina.

agora.

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@heraldohb


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