A CAIXA TRETA DO “SERTANEJO”

“Vamos abrir a caixa preta do BNDES!”, gritavam eles, hidrofobicamente, os golpistas embalados pela sanha lavajatista no auge do antipetismo.

A “caixa-preta” foi um dos temas dominantes na campanha que levou o atual mandatário à presidência.

Pois bem, golpe concluído, serviço sujo feito, capitão eleito e vão lá abrir a tal da caixa preta do banco, ver os desmandos e maracutaias desses malditos petistas do inferno.

Devassa nas contas, auditoria pesada, achincalhe à moral de funcionários de carreira, gente séria, condenação prévia, pessoas expostas como corruptas em tevê aberta, algemadas, casas reviradas, auê da imprensa corporativa, espetáculo… 48 milhões gastos em uma auditoria nessa missão dada pelo capetão, um osso premium a ser dado à horda de chacais alucinados fiéis ao verme presidente.

E aí, ao fim das contas: nada achado. Aliás, acharam o péla-saco do véio da havan garrado lá. E aí morre o assunto.

Corta para o episódio do fiofó tatuado de Anitta versus a oportunidade de ouro de ficar calado do tal cantor zé ruela neto. Resultado: jornalistas de vários cantos puxam a extensa capivara dessa fauna dita “música sertaneja” e taquiupariu… Só esquema dos mais rasteiros de drenagem do dinheiro público. “Ãhn, néum pricisimos de lei rianê bláblábla”. Porra. Dezenas de contratos vergonhosos, cachês milionários, rachadinhas explícitas em minúsculas prefeituras país a dentro, corrupção das mais rastaqueras. Vão-si-fudê.

E no caso de um desses artistas, um bolsonarento entusiasta, gustavo tchetchereretchetche lima descobre-se que a produtora do cara, que foi criada assim que o boçonaro entra no governo e que tem um capital de míseros dérmil conto, ganhou um financiamento de 320 milhões de reais do banco. Apenas isso… Receba. Chupe essa manga.

E agora, vão abrir de novo a caixa preta do BNDES ou não vem mais ao caso?

É uma regra da direita golpista brasileira, principalmente da vertente extrema: acuse os outros daquilo que você é e faz desde sempre. Vai por mim, é certo isso, não falha.

[heraldo hb – pitacolândia – maio 2022]


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