50 anos de Heróis da Liberdade, bambas do Império Serrano driblando a ditadura

Mano Décio e Silas de Oliveira
“Até a noite do desfile de 1969, as atenções se concentraram no samba-enredo do Império Serrano. A escola propunha o tema Heróis da Liberdade e os compositores Silas de Oliveira, Mano Décio da Viola e Manuel Ferreira deram asas à imaginação. Mesclaram o clima das passeatas que sacudira o país nos últimos meses de 1968 com o Hino da Independência, sob a assinatura inatacável do imperador dom Pedro II.
Oficialmente, as autoridades tentavam impedir que o samba fosse cantado sob a alegação de que os sambistas tinham maculado um símbolo nacional, o hino, citado textualmente, em letra e música: “já raiou a liberdade / a liberdade já raiou”. Para os sambistas e hermeneutas de plantão, o buraco era mais embaixo.
Antes de mencionar o hino, Silas, Mano Décio e Manuel faziam referências aos movimentos de estudantes e intelectuais contra o golpe de 64: “ao longe, soldados e tambores, alunos e professores, acompanhados de clarins, cantavam assim: já raiou…”
E, mais adiante, numa genial definição de liberdade, concluíam os democratas e populares imperianos: “essa brisa que a juventude afaga, esta chama que o ódio não apaga. Pelo universo, é a evolução, em sua legítima razão.”
Convenhamos – era difícil engolir. O Império desfilou, afinal, mas ficou com um modesto quarto lugar. O samba, gravado por Elza Soares, ganhava fervor cívico quando cantado nas rodas de samba cariocas daquela época, dos subúrbios ao Teatro Opinião.”
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[ Trecho do livro Carnaval, da Redentora à Praça do Apocalipse, de Roberto M. Moura ]
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[ Foto: Mano Décio e Silas de Oliveira – autoria não encontrada ]

[ Foto: Mano Décio e Silas de Oliveira – autoria não encontrada ]


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