{"id":873,"date":"2019-08-03T23:56:37","date_gmt":"2019-08-03T23:56:37","guid":{"rendered":"http:\/\/relinkare.org\/site\/?p=873"},"modified":"2019-08-03T23:56:37","modified_gmt":"2019-08-03T23:56:37","slug":"e-disso-cara","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/relinkare.org\/site\/e-disso-cara\/","title":{"rendered":"\u00c9 DISSO, CARA"},"content":{"rendered":"<div id=\"js_xs\" class=\"_5pbx userContent _3ds9 _3576\" data-testid=\"post_message\" data-ft=\"{&quot;tn&quot;:&quot;K&quot;}\">\n<p>Fecha os olhos, respira e visualiza uma pra\u00e7a e sua sinuosa \u00f3rbita: a carrocinha da pipoca, as paqueras, os bancos, os sonhos, os s\u00e1bados, as senhas, as \u00e1rvores que resistem. Pensa numa pra\u00e7a de Imbari\u00ea e um bando de jovens cavucando e experimentando esse bagulho de Poesia. Sente a pulsa\u00e7\u00e3o da parada. Sente a lava borbulhando nos vulc\u00f5es dentro de cada peito prestes a explodir. \u00c9 disso que tamos falando.<br \/>\nA voz que querem sempre calar; os corpos que querem sempre paralisar de alguma forma; os sonhos que querem sempre cortar na carne. E a Vida-Verdade que, como o Corisco, n\u00e3o se entrega n\u00e3o. \u00c9 disso que tamos falando.<br \/>\nO microfone, a garganta, o cora\u00e7\u00e3o sendo uma caixa de resson\u00e2ncia, o tremor nas m\u00e3os, os olhos faiscando, os sentimentos amplificados, a verve eletrizada cumplicemente &#8211; algo que traz pra terra o esp\u00edrito das vozes de muita gente torta e incompreendida que tanto elevaram a Humanidade em momentos de caos.<br \/>\nE agora o lance \u00e9 publicar, botar no mundo esse tro\u00e7o materializado \u00e0 moda dos punks e dos cordelistas, fazer circular esse p\u00e1, botar pra rolo o cont\u00e1gio. M\u00f3 onda boa. \u00c9 disso que tamos falando.<br \/>\nCara, a Poesia \u00e9 mesmo um visgo, acredite, que depois pode virar v\u00edcio, virar voz, virar multiversos. Mas isso \u00e9 depois, mais pra frente, e se rolar \u2013 isso n\u00e3o \u00e9 o principal. O principal \u00e9 o antes. O primordial \u00e9 a invoca\u00e7\u00e3o da Poesia como vocalizadora do que ainda resiste de humano em cada um. Aquela parte de n\u00f3s que luta pra n\u00e3o virar rob\u00f4 nem carv\u00e3o, cujo \u00fanico sentido \u00e9 queimar pra o capital, nas engrenagens sem sentido nenhum que n\u00e3o seja mais uma guerra sem sentido. N\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 de uma esp\u00e9cie de poeta profissional que estamos falando. Estamos falando do antes, da Arte e da Humanidade que insiste em n\u00e3o morrer em v\u00e3o. Do Amor e da Amizade nas pra\u00e7as. Na ideia maluca e necess\u00e1ria de que \u00e9 poss\u00edvel ser o que se \u00e9, \u00fanico e diferente.<br \/>\nToda vez que um ou mais estiverem reunidos em seu nome, a Poesia estar\u00e1 no meio de n\u00f3s nos dando mais uma chance. Enquanto tiver zine de papel circulando poemas por a\u00ed, enquanto tiver jovens vivos acreditando que as coisas podem ser diferentes, ainda teremos chance.<br \/>\nA Poesia \u00e9 sempre uma oportunidade pra falar daquilo que t\u00e1 l\u00e1 dentro e que n\u00e3o quer viver trancado e negado; uma oportunidade pra viver de verdade. \u00c9 disso que tamos falando.<\/p>\n<p>&#8211;<br \/>\n<strong>[heraldo hb, novembro de 2018, sobre o primeiro zine do slam po\u00e9tico de imbari\u00ea]<\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fecha os olhos, respira e visualiza uma pra\u00e7a e sua sinuosa \u00f3rbita: a carrocinha da pipoca, as paqueras, os bancos, os sonhos, os s\u00e1bados, as senhas, as \u00e1rvores que resistem. 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